Tangor Ortanique
IAC 554

Origem
Ortanique é um híbrido entre laranja doce e tangerina, cujos parentais são desconhecidos. Detectado na Jamaica, foi propagado pela primeira vez em 1920, por C.P Jackson, em Mandeville. Seu nome é uma síntese dos termos em Inglês que o caracterizam: orange (laranja), tangerine (tangerina) e unique (única). Introduzido no centro APTA Citros Sylvio Moreira / IAC, da França, no ano de 1967, pelo Pesquisador Dr. Jorgino Pompeu Junior.

Planta
Porte médio, de forma esférica e bastante vigorosa.

Floração
Abundante com predominância nos meses de agosto e setembro.

Frutos
Tamanho médio, ligeiramente achatado, com visíveis auréola estilar, as vezes com pequeno umbigo. Casca ligeiramente rugosa, com grande quantidade de óleo essencial, aderente, oferecendo certa dificuldade para descascar, o que é, entretanto, favorável ao transporte à longas distâncias. Coloração alaranjada intensa, quando cultivado em regiões de clima mais ameno. Suco abundante (mais de 55% de rendimento), de sabor agradável, com relação de açúcares e ácidos bastante adequada por ocasião do pico de colheita. A variedade é apirena quando em plantios isolados mas se colocada próxima à variedades compatíveis, há o aparecimento de sementes.

Maturação
Tardia, entre os meses de agosto a outubro. o fruto pode se manter na planta por longo período sem perder suas qualidades organolépticas. Da florada até o fruto estar adequado para consumo são necessários cerca de 390 dias.

Produtividade
A produção no 3º ano de colheita é de aproximadamente, 20t/ha em porta-enxerto de limão Cravo .

Material propagativo
A aquisição de borbulhas para plantio comercial dessa variedade está condicionada à adoção de um pacote tecnológico que inclui, entre outros procedimentos, o isolamento de área para que não ocorra o aparecimento de sementes.

Algumas considerações sobre a pesquisa
A variedade é promissora tendo em vista que seus frutos não apresentam sementes em cultivos isolados. Como também já constatado em outros paises, há grande influência do clima sobre coloração, espessura de casca e número de sementes do fruto. A pesquisa, envolvendo estudos fenológicos e físico-quimícos dos frutos, realizada com o apoio de FAPESP e do CNPq, vem apontando ser esta variedade indicada para as regiões com clima mais ameno do Estado de São Paulo por serem as mais adequadas para a produção de frutas frescas.

Pesquisa para seleção de variedade copas e porta-enxerto no Centro Avanço de Pesquisa Tecnolópgica do Agronegócio de Citros Sylvio Moreira / IAC

A disponibilização de uma variedade para plantio comercial consome boa parte da vida profissional de um melhorista. O trabalho de melhoramento demanda tempo e por vezes, muitos insucessos. A seleção a campo começa com a introdução e manutenção desse material em bancos de germoplasma, ou, mais comumente conhecidos como coleções de cítricos. Estudos envolvendo a caracterização físico-química de seus frutos, assim como o comportamento de variedades diante das pragas e doenças, são imprescindíveis. O envolvimento do produtor é importante nesse processo e, é dele que parte a necessidade de determinada variedade. A partir daí, são longos anos de observações em ensaios regionais, distribuídos nas diferentes condições edafoclimáticas. Somente após muitas avaliações e muito "tempo de estrada" é que os primeiros  "frutos" vão surgindo e a acenando para boas perspectivas de lucros. é naquela porção de sementes e de borbulhas que se encontra o sucesso, representando por anos e anos de estudos e dedicação, que vem coroado de muita satisfação pessoal e do doce sabor de estar contribuindo para uma melhor qualidade de vida.

 

Rose Mary Pio
Pesquisadora Científica